domingo, 5 de fevereiro de 2017

CONSTRUTOR




Pavimentou com ovos de serpente
essa estrada comprida e desastrosa,
que há de levar a algum inferno quente
(pois não conduz a um éden cor-de-rosa).

Ungiu-a com o veneno dissolvente
da intenção reptiliana, cavilosa,
como um aviso a quem não se contente
e ali se perca em noite tumultuosa.

E, para mor perigo, encompridou-a
até o limite do asco e do futuro,
onde, alto e súbito, um trovão já soa.

Para a queda é que a fez — e sob medida,
pois no abismo termina, inadvertida,
se abrindo ao fim num sorvedouro escuro.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

FAMÍLIA



No dia seguinte, Noblat, que também foi um dos entrevistadores do Roda Viva, publicou um tweet que mais parece um daqueles poemas horrorosos do não-eleito...
(João Filho, no Intercept)

O presidente Putativo,
com dona Bela, a recatada,
e o milionário Miguézinho
passam seu doce feriado
no Palácio do Jaburu.

Nada é mais belo que a família,
nem mais lindo que um feriado,
quando se é tão decorativo
e não há pedras no caminho.
(E o sol brilha forte em Brasília!)

Só mesmo a saúde do Brasil,
e a política do Brasil,
e a economia do Brasil,
e outras coisinhas do Brasil
é que andam feias  pra chuchu!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

NOVA VERSÃO



Nova versão, atualizada, de Indigestos e Purgativos, com o acréscimo de cinco novos sonetos. Para baixar gratuitamente clique aqui.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

INDIGESTOS E PURGATIVOS

(sonetos políticos e satíricos)


Versão para acesso gratuito na internet, a partir do site oficial do autor:

http://www.arquivors.com/renato_indigestos.pdf

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

ACRÓSTICO




Baixo demais para alcançar o topo,
Ralo demais para engrossar o caldo,
Aguado em demasia, não me esbaldo:
Subo na lâmina e transbordo o copo.

Instado pelo espinho da vaidade,
Levanto o meu curtíssimo pescoço
E espalho, sobre a borda desse poço,
Incensos de grandeza e de hombridade.

Reles demais para lhes dar substância
Ou sentido (ou tempero, ou só fermento),
Dou-lhes um pouco do meu próprio vento,
Ostentando fumaças de importância.

Assim alcanço ao menos envergar
Nas páginas da imprensa amiga e pasma
Uma aparência magra de fantasma:
Sem que exorcismos venham me expurgar.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

INDIGESTOS E PURGATIVOS



Meu uso do Alvorada é culinário,
conforme se constata: uma cantina
capaz de inundar todo o noticiário
com a sopa que ali ferve, grossa e fina.

E, dada a profusão do receituário
diante do qual a imprensa se alucina,
posso afirmar que tal poção, supina,
faz mais efeito lá do que no armário.

Assim é que, sem medo de acidentes,
da cozinha abrirei a porta imensa,
e a farei um santuário para os crentes. —

Eis a minha arte: cozinhar na banha
todo o langanho que haja na despensa,
para suprir essa avidez tamanha!

(Soneto I)

Coletânea com 54 sonetos satíricos de Renato Suttana. Lançamento em formato eletrônico, à venda no site da Amazon. Para adquirir, clique aqui.

Nota: Você pode ler em seu computador ou no celular, sem recorrer ao Kindle. Para isso, basta instalar o app da Amazon.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

MESOCLÍTICO



Oswaldiando...

Me dá salário
Diz o professor
Me dá escola
Diz o jovem
Me dá comida
Diz o pobre
Da Nação Brasileira
Mas o velho político
Que só entende de romance
Diz a todos
Dar-vos-ei uma banana.