domingo, 8 de abril de 2018

ÀS TIAS DO WHATSAPP




Agora que o juiz prolatou
o seu suavíssimo mandado,
que até parece uma ave em voo,
que até parece algum brocado,
voltemos, irmãs, ao de sempre:
ao que não cabe num complô
e não se ajeita num embrulho.
Voltemos ao nosso tricô.

Agora que o país retornou
aos trilhos retos da verdade
de onde, há trinta anos se extraviou
desde que o Ulysses de verdade
mandou escrever sua Carta,
sem lado, sem cor, sem partido
(mas que só o Olavo soube ler),
voltemos ao doce, ao cozido. 

Agora que uma primavera
à brasileira se deslancha,
abrindo-se, como quimera,
sobre nós seu azul sem mancha
que se avista desde a janela;
agora que a estação florida
tem início (apesar do outono),
voltemos a cuidar da vida.

Agora que o juiz, grande artista,
deu a laçada que faltava,
elogiada pelo jurista,
de impoluta (e não chuva brava),
e que o sôfrego general,
tendo ido à rua de pijama,
retorna ao seu morno covil
voltemos ao pesponto, à trama.

Agora que o dono — furioso,
pleno das iras comburentes 
do bordel retomou, trevoso,
os seus negócios procedentes
(depois do memorável brinde),
voltemos, amigas, voltemos,
ao fuxico, ao Whastapp, às rosas,
que vida melhor já não temos.

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